terça-feira, 18 de agosto de 2009

Calmaria

Tão certo e calmo deixo que caia
se a falha brilha tão incandescente
se o tempo tornou-se guardião

Menos ainda me agito
se a terra ao meu redor se ergueu
se a carne ardeu ao asco

Caibo dentro de mim
sendo que de mim eu perdi
sendo que eu mesmo pedi

Cato o que resta pelo chão
e faço de ferramenta minhãs mãos
de pé e firme me vejo então!

“Daqui em diante - disse -
Nada mais será como antes
E tudo torna-se agora
A nascente daquela Aurora

Bendita noite em que ao mundo afora
Joguei meus pés-de-mente à fauna
Aberta foram as portas
Do deleite à ventania.”

Seus passos levaram-lhe de volta
seus olhos alcançaram o início
seu pés sequer se ergueram

Os avisos e os deslizes
agora eram claros como não foram
no tormento impiedoso da queda

O tolo que tornou-se ciente
sabe como andar à frente
salvo a imperfeição da mente.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Logo pela manhã

Quão poderosa é a manhã
que me acorda todo dia sem medo,
se minha reação é ostil ela me desperta,
se reajo em paz
assim também ela me acorda.

Maldita manhã que insiste em me despertar,
sempre com esses raios solares
tão quentes que me atentam ao desconforto,
dai entao elevo o corpo e busco o meu reflexo.

Não gostaria mais de limpar meus olhos como faço todo dia,
gostaria apenas de abri-los toda manhã e deixar que luz alcance.
Sempre me perco entre toda claridade e sentimentos,
tamanha paz pela manhã, junto à serração, que me acalma.
Toda a ansiedade encerra-se em segundos.

A vida tanta, esforça-se em horas, dias, noites,
mas jamais alcalça a intensidade e densidade de um mero orvalho,
esse que vem para limpar e purificar todos os sentimentos
dos quais um dia eu tentei me aproximar de expressa-los.

Hoje arrisco, sem medo do julgamento, mas faço existir
a expressão do todo que resume os momentos de uma eterna manhã.