quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Teimosia

Tudo está retorcido
não é tão fácil ver além da névoa
Nada está parado
mas algo por dentro teima em congelar-se

Já são visíveis os frutos
a primavera persiste em trazer a beleza
Quando a noite torna-se eterna
o sono parece desistir e os olhos não caem

Ao som de notas que reconheço
derramam-se rios a trasbordarem
Em vão muitos pensares
embora alguns pesares, aqui estão

Embebecido e embasbacado
sinto-me deliciado por um sabor amargurado
Aprecio a dor que não vem do amor
não há pudor em aspirar ilusões

Tão logo o sol trouxer a luz e a noite a escuridão
Assim como quando o vento trouxer a tempestade
Haverá também a calmaria sem mais folhas a dançarem.

Tão cedo a cama deixar de ter espinhos
e o cantar do que é vivo deixar de arremessar-me pela janela
bem como fazem os becos, esquinas e mercearias,
por fim tudo estará em harmonia e nada mais em desalegria.

É quando ouço o chamar
que me deixo imbecilizar por contos rasos
Ao transpirar descompassado
persisto em ver o que já não via e querer o que não queria

Caibo em tudo onde não cabia
só pelo querer em passar pelo sentir
Sentimentos zonzos e língua já amarga
pelas palavras ingeridas sem pão nem água.