terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sincronismo Cíclico

Creio no tempo e suas ásperas mãos
capazes de desatar tornados e tormentas,
amansar fulgores e turvamentos,
mas apenas se soubermos o que há para se transformar.
Elos instransponíveis, junções que não se desfazem.
O que está junto, não mais pode separar-se...
não enquanto junto estiver...mas esquecemo-nos,
quão corriqueiramente nos descuidamos,
de trazer aos olhos do coração:
aquilo que um dia fez parte, por maior que fosse sua imensidão,
por menor que fosse sua insignificância, foi parte do todo.
Mas o que do corpo desprende-se, à alma apega-se
e então, jamais deixa de estar.

O corpo enfermo pode logo curar-se, pelo amargo da medicina,
pela quentura de corações que se abrem a deixar o bem escapar livremente,
pelo tempo corrido e já encerrado de sua jornada...partir também é uma cura!
A alma adoecida, permanece no frio de bater os dentes envolta pela febre intermitente;
não há matéria capaz de sanar, não há organismos capazes de tratar,
não há quem saiba da dor melhor do que quem a sente.
É um lindo e enorme baú o corpo cuja alma achacou-se e faleceu,
restando mais nada dentro, encerrado, lacrado, selado,
oco.
É importante ver a beleza da morte e nobilitar este encerramento;
o nascimento é apenas a outra ponta do mesmo ciclo.

Não há caminhos certos, e tampouco haverá errados.
Nada está programado,
porém,
não hei de negar as tendências intencionadas,
uma vez que a vida por si própria nos faz provar o gosto vivo da terra e o amargo do cimento,
bem como a limpidez da água e suculência do alimento,
a cada deslize ou sucesso da alma diante de si mesma.
É o mais alto nível de inteligência, é a perfeição contida em tudo o que é vivo,
e tudo é vida.

A nós, denomina-se vida a história escrita pelas mãos de quem faz sua estória realizar;
somos escritores de nós mesmos, fictícios inclusive à grafita sob o papel,
e artistas plásticos de nossa própria imagem diante do espelho privado,
assim como do público.
Criamos o mundo em que vivemos,
o nosso, o meu, o seu e o deles.
Quando desconhecemos nossa própria criação,
nosso traço, nossa letra, nossas cores e os por detrás,
nossa assinatura, nossos trejeitos e a nossa energia,
neste momento deixamos de ser criadores, diretores, produtores de nós mesmos,
e passamos a ser criados, dirigidos, produzidos,
por toda a engenhosa e auto-suficiente estrutura elaborada por nossa própria capacidade de criar.
Não há paz, mas precisamos e encontramos conforto,
não é real, mas chamamos de realidade...
por fim, chamamos a nós mesmos, humanos, de Deus, humanizado,
por não sabermos explicar, nem entender, absolutamente nada sobre quem e o que somos.
Aparentemente, somos frutos de nós mesmos,
parte integrante e indissociável de uma inteligência suprema,
capazes de tudo, inclusive de nos levarmos ao nada.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Coruja Dourada

Eu encontro motivos e razões
para conseguir me convencer do contrário,
pois é o contrário o que eu anseio.

Quando a noite se afoga em boemia,
tudo se justifica e minha sanidade se confirma.

Almejar o inatingível
é me expor à dor e ao prazer do desafio ao mesmo tempo,
e então o mesmo motivo da alegria é também o da tristeza.

Por fim, lutar pelo que?!

Prefiro não ter que ver o meu amor morrer,
prefiro a dor da laceração da pele, do fogo aos olhos,
da quebra dos ossos e a extinção da luz...

Há uma Coruja Dourada em meu peito,
e ela sabe, pois seus grandes olhos tudo vêem.
Há um nó, há um completo emaranhado;
está tudo embaralhado, e a guerra não cessa.
De fato, está apenas começando.

Fui convidado à render-me antes mesmo de lutar,
mas sem me entregar; o convite foi o oposto.
Deveria render-me, desistir e, apenas, deixar ser.
A Coruja é sábia e coerente,
mas também instigadora e ardilosa.

Nunca fui muito obediente,
seguia regras que me convinham
e criava as que eu queria seguir.
Mas agora já nem sei,
pois pra morrer é preciso, primeiro, existir...
E na minha incompletude,
sinto-me inexistindo, esvaindo-me.

Já não posso afirmar se vejo o que vejo
ou se quero ver o que estou vendo.
Não consigo ponderar se estou me convencendo,
deixando-me convencer, ou sendo convencido.
E agora, posso por tudo a perder,
mas perder o que, se de fato,
nada tive?!...

Que a Coruja Dourada me ajude

a tornar tudo tão claro quanto seus olhos,
tão firme quanto seu voo,
tão certo do não, quanto do sim.
Agora, o meu amanhã já não é apenas meu...

sábado, 20 de novembro de 2010

Moinho de Venturas

Não,
eu não consigo escrever,
não quando está tudo bem.
Há fases,
que tudo está como um relógio,
funcionando, pulsando,
automaticamente trabalhando...
Tudo está sem seu lugar,
bem como, eu poderia dizer,
que deveria estar.

Ora pois,
são momentos assim,
que me despertam a perversão.
Sim,
é nessa hora que eu desejo a desordem,
é bem agora que eu me perco no tempo,
e neste tempo que eu degusto o veneno.
Toda chuva é ácida e temporal,
e que não cesse, banhar-me irei.

Sou mais feliz quando não sou,
e rabisco no papel a dor da mente,
difusamente,
sem medições ou mediações,
ou intermédios irremediáveis...
é a exaustão da exatidão.
É o vômito que me torna mais humano,
e descreve organicamente o mal-estar
que carrego comigo
quando estou progressivamente constante.

Veja,
eu serei três quando aceitar meus dois,
e não serei junção, mas estarei ao cubo.
Eu me desvio dentro do próprio desvio
só pra me provar, pra me testar,
pra me experimentar e me saborear.
Não sobra nada!

Moinho:
Um moinho é uma instalação destinada à fragmentação ou pulverização de materiais em bruto,(...).
Ventura: sorte (boa ou má); acaso. Sorte boa; dita*. Risco, perigo.
*dita: Fortuna, felicidade, ventura; sucesso favorável.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um Certo Azul

O anoitecer chega como se uma grande chuva estivesse para desabar
e as cigarras cantam aflitas anunciando a primavera.
O azul das 18:30 é incomparavelmente o mais triste
e carrega o fim do dia como se pusesse uma vida debaixo do solo.

Sento-me só e ouço uma música obscura de sonoridade perturbadora
que me inspira a dizer o que meu pensamento vomita em silêncio em instantes inoportunos.
Um suspiro seguido de um frio no peito e sinto por dentro um intenso desejo desperto
e me deslumbro por um tempo com o que logo me acostumo e então passo a desdenhar.

Aperta-me no peito uma angustia que penetra por debaixo das unhas,
como um dardo, atirado de uma zarabatana, perfurando o crânio de um sapies sapiens.

O vento complementa o frio que então já não está apenas por dentro,
mas quando meus pêlos se erguem, de fato, não é pela temperatura.
Gostaria de me tornar luz pura para conhecer o outro lado
e deixar as profundezas não mais habitadas por mim.

O mundo tornou-se espantosamente sensível à recepção de palavras,
mas encontra-se contraditoriamente mais desinsteressado pelo próximo.
Tudo tornou-se tão banal que há uma necessidade de extremar, sublimar, evocar e invocar.
O ser humano está cada vez mais perdido e não reconhece seus próprios pedaços pelo chão.

A minha vontade é de despir a pele que encobre e disfarça o seu eu,
aquele que só você e ninguém além de você sabe reconhecer.
Você, que camufla até mesmo seus desejos mais intensos,
que mente tão bem a ponto de se convencer,
você merece a eternidade no azul das 18:30...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Encerramento

Eu não sei fazer melhor
eu não sei falar mais claro
Eu posso me esforçar
mas não mudarei minha fala, não

Nem que isso me afaste de você
não vou ceder ao seu querer
Isso só mostra que me importo e não vou deixar
de ser quem você conheceu

Eu mostro o meu pior
quando começo a falar mais alto
Não posso me enganar
e deixar o que eu sei de lado, não

Nem que isso me afaste de você
não vou ceder ao seu querer
Isso só mostra que me importo e não vou deixar
de ser quem você conheceu

Parece que foi ontem que eu te falei
"conte comigo",
só não faz mais sentido
pensar que eu cessarei sua dor

***

Na verdade isso não é um poema, é uma música que eu terminei de fazer hoje.

sábado, 4 de setembro de 2010

Utopia

O que é a tal felicidade afinal de contas?
Um nome, uma palavra inventada, um conceito dado?
Qual sensação realmente traduz essa idéia?
O que você chama de felicidade dura quanto tempo?
A felicidade "é" ou "está"?
Você já parou pra pensar se o que te faz feliz hoje,
também faria no passado?

Pra mim, não existe felicidade, nem amor,
só a dor. É como disse Buda: "tudo é dor".
Existem momentos que a dor não é tão forte,
e então sentimos um certo alivio, conforto,
que perdura um certo tempo, até que outra dor surja.
Buda não disse essa frase de forma pessimista,
e nem eu hei de repeti-la nesse conceito.
Ccomo ele mesmo disse: "toda dor é veículo de consciência".
Pensa bem se tudo o que faz te sofrer não te faz aprender.
É óbvio demais...
E o que você julga te fazer feliz, te traz o que?
O que te faz feliz te basta até quando?

Eu que tanto quis ser principe, sei que hoje sou ogro...
Eu que tanto me olhei no espelho e acreditei,
realmente acreditei que eu seria o ultimo romântico...
Eu que tanto quis ser exceção, ser aquele que citariam
com o sendo o que se diferenciou...
Eu que escrevia sobre o amor
como se ele fosse a melhor das sensações
até descobrir que não...

O amor me foi exemplificado, definido,
antes mesmo que eu pudesse sentí-lo, experienciá-lo,
mas sentir o que? experimentar o que?
Se amor significasse mutualidade
eu queria que o mundo vivesse o amor, de amor,
até que a morte viesse e mesmo assim
ainda haveria o amor, não pelo que se tem ou teve,
mas pelo que se foi (do verbo ser),
ao deixar de ser só um,
ao ser um mais um...mas não é assim que é.
Apenas no papel,
no filme, em poemas, em cartas, em vontades, desejos...
O amor não passa de uma ilusão, de uma meta inalcançável.

Eu gostaria que o mundo deixasse de ser tão teatral,
e que as pessoas fossem mais elas mesmas
e que se dissesse eu te amo, não pela paixão estúpida,
mas pelo bem querer, pelo cuidado que se quer ter,
pela proteção que se deseja, pelo sorriso que se almeja.
Fazer o bem, é tão difícil que mal sabemos o que fazer,
exatamente porque olhamos tanto pra nós mesmos
que nem compreendemos o real motivo da lágrima de alguém,
ou de seu sorriso, ou de seu recolhimento, ou de seu suicídio.

Não ame como nos poemas, não deseje como nos filmes,
não se expresse como em cartas...
O belo das palavras é o que elas realmente podem causar,
e não o que você quer gostaria que elas causassem.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Mergulho

Venho rindo cada vez menos,
adentrando certos pensamentos,
definhando em saudades múltiplas
as quais já nem sei distinguir.

Abri certas portas,
que preferia não tê-las aberto,
pois descobri coisas que já sabia,
mas que estavam escondidas em mim.

Ainda é só o começo
e a descida já é perder de vista.
É tão frio aqui em cima
mesmo sendo um dos dias mais quentes.

É como estar em anestesia em um coma
atingindo apenas uma parte do corpo,
mas afetando todas as outras
dando tempo e espaço pra inexploradas sensações.

O livro me diz como agir,
o anúncio o que comprar,
a rádio o que ouvir
a mãe como me portar,
e todos me afetam.

Disseram-me que o amor é pra sempre
e que só existe um "verdadeiro amor".
Vivem me dizendo incontáveis coisas
e eu sempre escolho em quais quero acreditar,
pois nem todas me fazem convencido.

Forçar para que aconteça
é não saber lidar com jeito.
Impedir,
é interferir no curso natural.

Venho entendendo cada vez mais,
evitando certos pensamentos,
crescendo em uma frieza única
a qual eu já chamo de amiga...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

The Darkness of a Colourful Place

A Escuridão de um Lugar Colorido

I paint a blackboard with my wine and the vomit of yesterday,
trying to put and end in all of my happy but frustrated dreams.
Eu pinto um quadro-negro com meu vinho e o vômito de ontem
tentando pôr um fim em todos os meus felizes porém frustrados sonhos.

People talk easily while I just can't connect a single and simple sequence of ideas.
As pessoas conversam facilmente enquanto eu simplesmente não consigo conectar uma única e simples sequencia de ideias.

This is a grown up body of a kid who misses his mother chosing his clothes to take a walk.
This is a self called artist who doesn't please his own expectations and cry from the inside.
Este é um corpo crescido de uma criança que sente saudades de sua mãe escolhendo suas roupas para passear.
Este é um artista, por si mesmo entitulado, que não agrada suas próprias expectativas e chora por dentro.

There's no reason for tears but it's easy to find one,
and the several voices blame each other in vain.
Não há razão para lágrimas, mas é fácil encontrar uma,
e as diversas vozes culpam umas as outras em vão.

There's no soul,
there's only Rock and Roll...
Não há alma alguma,
há apenas o Rock and Roll...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Como Poderia Ser

Hoje poderia chover
E o céu acinzentar-se em seu tom mais escuro
E o vento cantar
E barulho nenhum ser maior que a água a cair

A cidade poderia desertar-se
E somente as folhas correrem por todos os lados
E o lodo tomando conta das ruas
E os raios serem a única luz existente

Hoje poderia tudo ter fim
E eu nu correr por todas as esquinas
E o frio trazer à pele a sensação do corte
E o som do trovão ser melodia

Hoje deveria ser o último dia
E todas as verdades então reveladas
E a solidão transformada em paz
E o desejo de morte suprido

Mas hoje faz sol
E há carros nas ruas
E pessoas conversando
E nada é como poderia ser...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Alfa

Quando dormimos, sonhamos
quando sonhamos, acordamos
de formas inversas,
mas ambas despertas.

Porém, quando sonhamos
nosso olhos se abrem,
internamente enchergam
o que externamente negam.

é num vôo, numa queda,
num parque, numa taberna,
o certo ou o que não presta,
o prende e o que liberta.

Quando deixamos o sono
somos bruscamente agredidos
trazemos a sensação,
mas esquecemos o que nos fora dito.

Realidade é como chamamos
aquilo que temos como verdade,
que nos fora dito ou proporcionado
a fim de preencher o vazio inato.

Mais real é o que nos dizemos
afinal, ninguém é tão honesto assim
e se for pra dar ouvidos, que seja à própria voz
que é quem nos diz o que não queremos ouvir.

Sabe,
tem um sentimento
que dura um segundo ou menos
mas é impossível de se definir;
é como se afogar,cair,se perder...
sem se ter dor, nem pavor,
nem alegria, nem horror,
é uma anestesia entre luz e breu
o estágio alfa da dormência..

Será que ISSO é paz?!
Sonhar acordado, um sonho vivido
um momento passado, presente sofrido
acidente pre-destinado num corpo já envelhecido.

Os caminhos a serem percorridos
estão todos ao nosso redor,
e os que serão escolhidos
estes, estão dentro de nós.

domingo, 4 de julho de 2010

Penas, Migalhas e Gaiola

O que fazer quando não há mais o que fazer
o que dizer se já nao há mais nada a ser dito
o que explicar se tudo já ficou claro...claro demais
como agir daí em diante...então é assim que acaba?

É como se eu tivesse visto um pássaro, o mais belo
e tivesse ficado encantado com suas penas,
e tivesse me identificado com seu vôo,
e tivesse até mesmo sonhado em ser um ao seu lado.

É como se eu tivesse ficado tão envolvido, demais
e tivesse tentado prendê-lo, para tê-lo
e o fiz.

Mas eu esqueci que o pássaro era livre,
e mesmo preso, seu espírito ainda era livre
e com isso eu o tive só pra mim, mas nunca meu.

Foi depois de o sol muito se pôr e nascer, contemplando-o
que eu não via mais o pássaro como antes eu vi
e seu brilho ainda vivo, e suas penas ainda coloridas
já não eram tão encantadores assim.

Resolvi libertá-lo, para que pudesse voar como antes
mas antes, ele voava sem meu olhar, sem mim
e foi assim que ele voou novamente, mas desta vez
ele não mais voltou.

As noites estão mais silenciosas, frias e encharcadas de insônia.
Os dias mais zoneados, sem sentido e bêbados de sono.
O pássaro era livre e tornou a ser.
Eu o contemplei, mas o aprisionei comigo.
Hoje restam penas, migalhas, e uma gaiola vazia.

Voe pássaro roxo, como voou um dia para perto de mim
e nunca mais esteja preso, e cante com teu peito cheio.
Guardarei as penas e as migalhas, mas não a gaiola,
caso um dia pouse em minhas terras novamente, livre, mas comigo estará!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pensei Em Lhe Dizer

Se eu sair vivo deste sonho te encontro amanhã
pra viver as mesmas coisas que vivemos hoje
mas com o sol de amanhã, as carícias de amanhã e o café da manhã

Se eu navegar demais e me perder, e não mais retornar
eu terei seu cheiro como bússola pra me guiar
e perceberei seu olhar nas nuvens que farão seu rosto farol

Com você eu não sonhei viver uma paixão que encaixasse
que me fizesse sorrir sozinho deitado antes de dormir
e nem agradecer por você ter aparecido quando eu mais precisava sem saber

Foi ao contrário, mas ao mesmo tempo, foi extraordinário
e tão sutil que só de olhar não pude ver, nem sequer notar
que você sempre esteve por aqui fazendo parte

Se eu lhe machucar me perdoe o mau jeito
pode ser descuido ou desatenção, mas não desinteresse
É que ainda não sou o melhor de mim

Se você tiver um pouco de paciência
pode ser que a paixão chegue depois do amor
E faça o que era solido dançar e se esbaldar, mas sem desequilibrar

E nessa dança agente sabe a hora certa de tocar as mãos
bem como sabemos a hora de desatá-las
mas é certo que nossos passos estão em sincronia

E nesse ritmo agente confia no outro pra deixar o corpo cair
nesse embalo nosso corpo mesmo longe sente o calor do outro
Mas isso tudo eu não lhe direi, só pensei em lhe dizer

Eu não sei como encaixar peças, nem desacelerar
eu faço arte abstrata e meu pé está cravado a 130 km/h
eu vejo cores no breu, ouço vozes no vento e canto esvaziando pulmões

Entenda que eu devo me calar pra evitar o caos, por vezes inevitável
mas espero que você viva comigo, caçando sonhos, construindo castelos
Daremos passos tortos, faremos caminhos inversos, mas chegaremos lá...juntos!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Livro Inacabado de Páginas Sangrentas

Você não percebe,
mas eu me maltrato numa dor intencional.
Eu me trato e me vacino
contra tudo o que me remeta ao que eu não quero.
Porque eu quero, embora eu não queria.
Faço doer pra parar de doer;
aperto a ferida até arder.
Crio outra dor pra deixar que passe,
e passa,
mas volta,
e aí tudo se revolta.

Ferida que não cura é cicatriz,
mas eu quero sangue.
Eu lhe dou o que você quer e deixo que goze
pra que perca o prazer em querer o queres de mim.
Eu uso seu desejo pra saciar a minha dor
e uso minha dor pra me dopar e te entreter.
Não te encontrar em mim é meu bem querer;
é só assim que eu quero te querer.
Doi, porque não devia mais doer,
e não pelo que deixou de ser.
E eu vou me maltratando
até a dor não se manter,
nem dizer,
nem viver.
Chega de você...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Perfeito Futuro do Pretérito

Eu queria ter lhe conhecido antes
enquanto seus olhos ainda eram jabuticabas
e seus passos desequilibrados

Agente deveria ter se encontrado antes
enquanto roupas não eram importantes
e tinhamos hora pra estar em casa

Até o sol brilhava diferente
e até sua cor gerava conforto
O assovio do vento e o frio da noite
não eram solidão, mas imaginação

Eu gostaria de ter lhe sido companheiro
enquanto o motivo de seus atrasos não era maquiagem
e o que lhe alterava o humor não era tpm

Agente poderia ter sido o que hoje buscamos
enquanto ainda não tinhamos calos e feridas
e o riso gastava todo o ar contido no peito

Até seu cabelo brilhava diferente
e até sua pele cheirava puresa
O tanto que eu queira você, sem nem lhe conhecer
Eu sabia que era pra ser, mas não cria em lhe perder

Nós não tivemos a mesma infância
mas dividimos tudo o que trouxemos
Nós vivemos por alguns instantes, e depois morremos
agradecidos por termos vivido tudo
exatamente como vivemos.

domingo, 23 de maio de 2010

Sem Fim

Um pouco de cada um que já passou
e muito dos que permanecem
É como se cada pedaço fizesse parte
de varios sonhos diferentes já sonhados
Varios sonhos abandonados
e novos em seus lugares
É que não da pra viver tudo o que se quer
É preciso renovar até mesmo o que não se quis

Então que tudo hoje parece desordem
Existem valores que nunca fizeram mas fazem parte
É uma correria enorme e um vazio gigantesco
Uma tentiva de suprir sabe-se lá o que
Mas precisa ser assim pra quem quer viver aqui
Se há discordância existe desarmonia e a trilha desafina
Daí que existe gosto e desejo e o que um prefere o outro não

De fato acorda-se, vive e à noite a cama é porto seguro
Mas onde aporta-se, também se encontram as aflições
Por hora vive-se algumas pra depois viver outras
A paz, que nunca é plena, vem e logo deixa saudade
Ao passo que a cidade nunca dorme e a mente experimenta outros mundos
Ao longo do dia que se esquece o que sonhou pra viver o que se tem que viver
Atrasado em função do relógio marcando horários certos pra ações esperadas
Engrenagens que mantêm o funcionamento que se deve ter

Avise a vida que ela está correndo demais
Confesse ao corpo que ele precisa de mais cuidados
Ature a própria mente te trazendo o que não quer
Aproveite o que há de bom na forma presente do viver
Tudo está porque foi deixado como se permitiu
Viver diferente é ser diferente e perder-se pra encontrar-se
Reconhecer tudo que ja passou e reescrever cada linha
A cada novo despertar, uma nova forma de pensar
mas deve-se lembrar, deve-se manter, deve-se fazer

Onde está o sonhar...não está o viver
Onde vivemos, fazemos por fazer
Quando fazemos, agimos sem ver
Quando agente vê, já está
É assim, mas se pode mudar
Não mudamos pra que se tudo se mantenha
Tudo mantido, resolvido, esclarecido
Tudo vazio, sombrio...mas eu rio

terça-feira, 18 de maio de 2010

Fetos

Eu me sustento até onde não aguento mais.
Passo adiante, deixo pra trás
e muto.
De cabo a rabo eu nunca sou meio,
e o dia em que eu viver pela metade
serei metade do ser que posso ser,
e sou.

Mas não ouso me esburgar.
Sou o agora,
entre nós atados com ontem e amanhã.
Fui o hoje de ontem,
sou o hoje do amanhã.
Mas amanhã ainda não sou,
e ontem eu já fui.
Sou apenas hoje.

Somos fetos animalescos,
ainda envoltos pela casca do ovo.
Uns de cobra, outros de rato,
até mesmo algumas cadelas.
Alguns impossíveis de se definir;
as cascas confundem, enganam muito,
podendo ser tão duras que nunca se quebram.
Pelo menos não perante outros.

É o desejo do outro que nos define.
Interessa e desinteressa, junta e separa.
Ovos – iguais ou diferentes,
agindo - igual ou diferente
e pensando – igual ou diferente.
Tudo misturado, tudo igual ou tudo diferente.

Somos o que passamos,
somos o que querem que sejamos.
E quando eu ousar me esburgar,
serei a casca que vejo ao chão?
Serei a imagem que sempre vi refletida?
Serei o que vêem?

Eu não me importo,
eu me sustento até onde não aguento mais.
Diante de mim, sou tudo o que puder ser,
e se ainda não o fui é pois ainda não o sou.
Fetos em seus ovos, são o que quiserem,
basta querer, ser, agir e persistir.

sábado, 24 de abril de 2010

Bar da Esquina

Logo ali naquela esquina,
justo onde eu passava todo dia.
Foi naquela curva de ruas
que à uma mesa você se sentou.

Eu nunca mais vi aquele bar,
não com os mesmos olhos.
Hoje ele tem seu vestido e seus cabelos
e todas as músicas são pra você.

Meus olhos enchergam sábado todo dia,
toda noite é madrugada de domigo.
Pela janela, entre galhos, folhas e flores mortas,
a calçada carrega o seu movimento.

Mas é sempre assim quando a cama acolhe.
Procuro de luz apagada, mas não acho.
OIho do outro lado da rua, mas não vejo
nem o seu adeus e nunca mais seu beijo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Caixa-Vazia Cheia de Nada

Entranhas à vista
e brilho no olhar de quem vê.
Caos desfarçado de Eros.
Sou eu,
não tiro minha culpa...
“mea culpa”

Melhor se faz
o que melhor se sabe fazer.
Dor e prazer.

Esferas de fogo no espelho,
cacos do mesmo ao chão.
Kali se veste de Krishna.
É do Homem,
e não se pode mudar...

Desgraça justa,
equilíbrio espiritual.
Arte milenar de destruição:
especialidade humana.

Talento indesejado,
dominado,
domador e domável.
Obras de arte nas paredes da mente,
nos labirintos,
quadros e faces tão doces,
versáteis camaleões.

Afaste-se, vá,
ande,
ainda há tempo...
Não se aproxime, corra,
agora há pouco tempo.
Vai acontecer...

A sereia está a cantar,
o mar se inquietou.
Homens ao mar
pularão e por lá permanecerão.

Éris e Athenas fazem amor sob nossas cabeças,
enquanto Ares se enche de gozo livremente.

Conta-se até onde não se sabia contar,
tão rapido que a fala se torna disléxica.
São incontáveis as ruínas,
e todas já foram fortalezas.
Deixou-se que o pó descesse
e as pedras pudessem ser recolhidas.
Jogou-se tudo de volta à caixa,
pra guardar e usar outra vez.

Mas o talento foi dado por Caos,
moldado por Ares
e difundido pelo Homem.

São todas as artes marciais,
são todas as filosofias,
todas as religiões,
todas as sensações.

Haverá um novo talento,
perdido, sonhado, desejado, idealisado,
esquecido e não trabalhado,
mas haverá.

A caixa-vazia estará cheia de tudo
pra tornar-se completa pelo nada.
Nada completa a caixa.
Eternamente incompleta.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Entorpecentes Naturais

Questionei minha sabedoria
que então, serena, me disse
"Não deixe que sua convicção
te torne surdo e nem cego
diante de sua verdade"

E em resposta
a ignorância bradou
"Deixe de dar ouvidos
e ceder o seu olhar
a quem lhe amolece"

Por fim encontrei-me
e abraçei-me com o equilibrio

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um Dia

Vou nadar em várias águas
e comer os diversos frutos dessa fonte.
Vou subir em várias árvores
e provas suas frutas e diversos sabores.
Quero temer pra ficar destemido
e depois temer novamente.
Quero ouvir vozes
até desconhecer a minha própria.
Quero olhar para os globos nas órbitas
e ser John Malkovich.

Preciso de asas imaginárias
por ter os pés cravados no chão.
Preciso de tanto que queria não querer nada,
mas o fato é que eu tudo quero.
Preciso errar sem saber,
mas por fim aprender e poder escolher quando errar.
Vivo o ser humano
mesclado ao animal que habita em mim.

Quero dizer o que eu deixei de dizer
exatamente como eu quis que eu fosse ouvido.
Vou fazer o que eu bem quiser e serei taxado de egoísta,
mas é aqui que eu deixo de querer.
Deixo de tentar ser um par
para ser dois por dois.

Aos poucos,
pequenas porém intensas ações
me guiarão muito além do aqui.
Afinal,
todos viverão o que eu viverei
sendo de carne e exigindo-se um constante esforço sobre-humano.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Estações

O mal fazer tão bem,
é tão estranho como o que é bom,
mas acaba por consumir e devastar.

É tão comum como quem
se entrega ao vício, deleita-se no suplício,
desencanta-se com o belo
e pensa ser feliz sozinho.

O rosto queima ao tapa
assim como a palma à face;
o calor da dor,
e o arfar do júbilo.

Dar adeus ao que habitava,
abrir portas, janelas,
baús,
tirando trancas, cadeados,
vestimentas,
doi.

Tão dual,
humano e animal,
o instinto racional
contido em cada qual.

O tempo que se leva,
é o tempo que se gasta
pra se habituar,
com a luz e o breu,
o meu e o seu.

Mudam estações,
mudamos,
tanto aqui como lá,
até a paisagem
tanto a de lá como a daqui;
nada é sempre pra sempre,
mas a arte imortaliza a fonte
que sera tudo,
menos a mesma de antes.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Corpo-Sem-Rosto

Existe uma paz que não me inspira a escrever.
O que me comove é o caos,
a felicidade envenena, distrai.

É na desordem que me faço escritor
e descrevo minha aflição com o mesmo prazer que as vivo.
São frases feitas, imperfeitas,
que são gentilmente sussurradas à mim quando bem entendem.

Quanto maior a dor, melhor é de se rabiscar as letras.
São tentativas de transpor à folha aquilo que ja não cabe só na mente.

Mas se me faltam as palavras, é pois, embreagado estou.
O que agora me excita já não é a tormenta, pois no céu nuvens não há,
e eu, ainda assim, aspiro a proxima chuva.

Agora,
existe um rosto ocupando o sentimento
que aqueles corpos-sem-face, em sonho, transmitiam.
Existe o veneno correndo quente nas veias
e a distração impercebida que faz de um instante uma eternidade
e transforma dias em apenas algumas horas de gozo.

Existe o caos, o qual me inspira a escrever.
O que me deixa sem palavras é o amor.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Olhos de Lêmure

Tão grandes e dourados,
expressivos e enganosamente amedrontados,
tão curiosos e sempre ligados,
estes olhos são universos
nos quais deixo-me perder.

Este teu pêlo, tão macio,
de carinho natural e aberto, livre,
um brilho que encanta e aquece,
em movimentos suaves e ondulados.
Sua pequena juba foi o charme de uma época.

Pequenino este Lêmure, mas ágil demais,
pulou e veio até mim, brincou, me bagunçou,
foi sério e me preocupou, temeu e me trouxe temor,
agitou, fez uma completa desordem,
saltou e foi-se embora.

Grandioso este Lêmure, com seu nariz sempre suado,
demonstrou um coração maior que os olhos,
um afeto maior que suas úmidas e transpirantes mãos,
presença que parecia querer agradar ao meu querer não dito,
intenso como a primeira vez que curioso seguiu meu olhar.

Um verdadeiro palhaço, naturalmente o é,
traz alegria a qualquer momento e ser,
não há quem não abra um sincero sorriso contigo.
Todos se encantam com este teu jeito,
alguns gostariam de tê-lo sempre consigo.

Este teu olhar, confunde, prende, aflige,
mas transparece a força de seu livre espírito
e não esconde o peso de suas emoções.
Estes olhos de mel deixaram saudades,
saudade de mel, dos olhos de Lêmure.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Aos Olhos Meus e Teus

Eu sou a sombra dos que eu critico,
reconheço-me em meus inimigos.
Vivo o ódio dos que me odeiam
e o descaso dos que me desdenham.

Sou tão hipócrita como todo ser humano,
revisto-me desde seda, por feltro à cânhamo.
Sirvo nos erros alheios cometidos
e entrelaço dedos com desejos que omito.

Eu tenho a cara do meu envelhecimento
e a ressaca de minhas dependências,
regurgito fotos, fatos e filmes inteiros ao despertar.

Levo as marcas de minha juventude
e as consequências de passos mal dados,
reviso fragmentos, fantasias e fracassos ao me deitar.

Eu vejo a bondade, mas questiono a inocência,
desvisto olhares desviantes e persistentes no disfarce.
Sou parte maldade, mas reflito o luzir do punhal dos justos.

Carrego a dualidade latente em cada ser
e intensifico a extremos a vivência de temores e vislumbres.

Sou o outro par de passos ao lado ou sob caminhos percorridos,
sou tudo o que sei e vivi e vario de forma perante os olhos que me seguem.
Sou o que quero de mim e o que me esforço pra ser, mas pra você
serei exatamente o que seus olhos escolherem ver.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Simples Palavras

Palavras que o tempo desgastou são hoje forma simples de se entender o que se viveu. A forma que elas vão tomando fazem com que o reservado se apresente de tal maneira que muda o que se tinha rotulado na vida. Vivenciamos tudo que nos cabe aproveitar, porém não se viu ainda uma plena exposição de satisfação, tudo porque a vida se resume a momentos; momentos de sentimentos diversos que fazem parte do dia a dia, não da existência. Indaga-se porque o que se expressa muda de forma com ao decorrer da vida. Formas de expressividade sincera são meios de libertação do padrão, e não estamos preparados para deixar que a liberdade nos ensine a ter um sentimentalismo puro, mesmo podendo ser essa seja a melhor forma. Nada se resume ao passado, mas aprendemos que nem sempre o que sentimos é o que conseguimos expressar.

Palavras do presente são diferenciadas pela forma ágil com que perdem a emoção. Alma expressiva, ser pensador...Vida presente que se resume em não ficar pra trás. Perda de tempo é não saber entender a si mesmo e assim pensar que é feliz por acreditar que sabe amar a vida. Sentimentos estranhos que mudam de forma com o tempo. O tempo...O tempo tudo muda, só não muda o que está a nossa frente. Saber sentir já é passo grande para criança que diz saber o que é emoção. Seres inanimados que têm por sua sobrevivência a convivência. Ambiente social que cria barreiras impedindo o uso correto de palavras que se expressam de forma diversificada, de acordo com o a mente que a expõe.

Grandes emoções nos prometem momentos de prazer, e uma vez que isso é viver, deve ser vivido intensamente. Pressentir momentos de total exposição, reprime nossa própria vontade de revelar o que o coração e a alma nos falam. Criaturas de baixo amor próprio e barreiras construídas somos nós. De que adianta compartilhar um sentimento, se não souber o que é amar...Apenas viva seus momentos e deixe as palavras serem seu consolo, mas formas brutas de expressividade nem sempre são o que dizemos ser a solução.

A vida nos abre portas, nunca uma saída. Ela nos mostra que caminhos diferentes nos levam a explicações suficientes para que possamos dizer: "Eu te amo!".

(texto escrito em 2003 o qual originou meu extinto primeiro blog e o título deste segundo no qual hoje escrevo)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Migrações Pendulares

É um recomeço o hoje logo após o ontem,
do querer à queda do desdenho,
a excitação contida naquele brinquedo aos 9,
o encanto de uma antiga ou nunca esquecida canção.

Há quem carregue pedaços de um ontem passado por vários outros,
cheio de detalhes, tão vivo que chega a ter forma, não só na memória.
Mas também há os que não querem ou não sabem guardar,
nem mesmo um olhar,
e de um instante ao outro se deixam levar por qualquer pedaço de um inteiro.

As coisas são perdidas e então renovadas, mas nunca re-encontradas.
Nada está agora como esteve um segundo atrás, nem mesmo uma foto,
quem dirá o pensar diante do próprio pensar.

Deixar passar, deixar pra lá, deixar ser ou estar.
É simples deixar a falar escapar.

Agora sim ou talvez não, quem sabe logo após.
O tempo continua sua trilha ininterrupta
e nós nos perdemos exatamente ao tentar
correr atrás dele,
sendo quem nem sabemos por onde ele anda no presente.

Que horas são? Que dia é hoje mesmo? Em quem mês estamos? Que ano é este?

A vida é uma troca incessante, uma renovação de tudo o que passa. E tudo passa.
Por fim o que fica é apenas o resultado alcançado até então, mas tudo fica.
Quado dizemos o ultimo adeus nada levamos conosco,
a não ser a própria essência do ser e os cultivos cativados.
E então. Quantos frutos você já viu brotar?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Equilíbrio

Mate ou morra,
salve ou deixe morrer,
pegue ou deixe que passe,
segure ou deixe que caia.
Perdoe ou guarde o rancor,
aja ou mantenha-se estático,
mude ou seja exatamente o mesmo de sempre,
arrependa-se ou negue-se a aprender.

Exploda ou imploda,
surte ou tenha sempre auto-controle,
brigue ou mantenha-se sempre sereno,
questione ou aceite.
Discorde ou esteja sempre de acordo,
arrisque ou tudo tema,
cale-se ou se faça expressar,
releve ou faça valer a vingança.

E onde está o equilibrio do homem?
De que forma se dá a harmonia da música e
quem está certo ou errado?
Como se faz acontecer e
quando optar pelo sim ou pelo não?
Qual o melhor ou mais adequado e
por que isso e não aquilo?
O que há além do saber?

Saber quem ou o que,
como ou quando,
onde ou qual,
de quem ou porque.

Nada além do saber!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Quem Mente

Oh mente que não mente,
é só você que me diz o que o pensamento realmente pensa
e fala de forma tão clara, tão convicta,
chega a ser estúpida por não medir coisa alguma.
Gostaria que não estivesse tão certa tantas vezes,
e não me mostrasse que eu já sabia o que estava pra acontecer.

Oh mente que não cansa,
é você que pela noite me mantém virando de um lado para o outro,
e se abre como um caleidoscópio cheio de formas e cores,
sempre acorrentando novos elos, juntando restos e pontuando frases.
Entre as celas que você me põe estão os jardins aos quais me tenta,
e eu corro os olhos por todos os lados, chego a voar e cometer suicídio.

Oh mente! Afinal de contas quem é que mente?
Eu por dizer que não ou você por me convencer que sim?
Se tantas vezes me permití o gozo, mas me reprovei depois, foi por ti.
Não haveria tanta memória se eu lhe desse mais ouvidos,
e eu não teria tantas músicas para ouvir dez vezes
e sentir o peito apertar em cada uma delas.

É, mente! Não lhe silencio por tanto gostar de te ouvir, e de sentir a dor do aprender.
Eu que tanto mantenho meus pés no chão, lúcido acreditei ser intocável,
mas a verdade é que o coração é quem nos confunde.
Então quem mente? Qual entre todos nós?
Se há tantos como você mesma diz, estarão todos certos a sós, mas errados juntos?
As lágrimas tornam-se então palavras que não quiseram ser ouvidas,
mas que serão, de dentro para fora.