quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pensei Em Lhe Dizer

Se eu sair vivo deste sonho te encontro amanhã
pra viver as mesmas coisas que vivemos hoje
mas com o sol de amanhã, as carícias de amanhã e o café da manhã

Se eu navegar demais e me perder, e não mais retornar
eu terei seu cheiro como bússola pra me guiar
e perceberei seu olhar nas nuvens que farão seu rosto farol

Com você eu não sonhei viver uma paixão que encaixasse
que me fizesse sorrir sozinho deitado antes de dormir
e nem agradecer por você ter aparecido quando eu mais precisava sem saber

Foi ao contrário, mas ao mesmo tempo, foi extraordinário
e tão sutil que só de olhar não pude ver, nem sequer notar
que você sempre esteve por aqui fazendo parte

Se eu lhe machucar me perdoe o mau jeito
pode ser descuido ou desatenção, mas não desinteresse
É que ainda não sou o melhor de mim

Se você tiver um pouco de paciência
pode ser que a paixão chegue depois do amor
E faça o que era solido dançar e se esbaldar, mas sem desequilibrar

E nessa dança agente sabe a hora certa de tocar as mãos
bem como sabemos a hora de desatá-las
mas é certo que nossos passos estão em sincronia

E nesse ritmo agente confia no outro pra deixar o corpo cair
nesse embalo nosso corpo mesmo longe sente o calor do outro
Mas isso tudo eu não lhe direi, só pensei em lhe dizer

Eu não sei como encaixar peças, nem desacelerar
eu faço arte abstrata e meu pé está cravado a 130 km/h
eu vejo cores no breu, ouço vozes no vento e canto esvaziando pulmões

Entenda que eu devo me calar pra evitar o caos, por vezes inevitável
mas espero que você viva comigo, caçando sonhos, construindo castelos
Daremos passos tortos, faremos caminhos inversos, mas chegaremos lá...juntos!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Livro Inacabado de Páginas Sangrentas

Você não percebe,
mas eu me maltrato numa dor intencional.
Eu me trato e me vacino
contra tudo o que me remeta ao que eu não quero.
Porque eu quero, embora eu não queria.
Faço doer pra parar de doer;
aperto a ferida até arder.
Crio outra dor pra deixar que passe,
e passa,
mas volta,
e aí tudo se revolta.

Ferida que não cura é cicatriz,
mas eu quero sangue.
Eu lhe dou o que você quer e deixo que goze
pra que perca o prazer em querer o queres de mim.
Eu uso seu desejo pra saciar a minha dor
e uso minha dor pra me dopar e te entreter.
Não te encontrar em mim é meu bem querer;
é só assim que eu quero te querer.
Doi, porque não devia mais doer,
e não pelo que deixou de ser.
E eu vou me maltratando
até a dor não se manter,
nem dizer,
nem viver.
Chega de você...