sábado, 20 de novembro de 2010

Moinho de Venturas

Não,
eu não consigo escrever,
não quando está tudo bem.
Há fases,
que tudo está como um relógio,
funcionando, pulsando,
automaticamente trabalhando...
Tudo está sem seu lugar,
bem como, eu poderia dizer,
que deveria estar.

Ora pois,
são momentos assim,
que me despertam a perversão.
Sim,
é nessa hora que eu desejo a desordem,
é bem agora que eu me perco no tempo,
e neste tempo que eu degusto o veneno.
Toda chuva é ácida e temporal,
e que não cesse, banhar-me irei.

Sou mais feliz quando não sou,
e rabisco no papel a dor da mente,
difusamente,
sem medições ou mediações,
ou intermédios irremediáveis...
é a exaustão da exatidão.
É o vômito que me torna mais humano,
e descreve organicamente o mal-estar
que carrego comigo
quando estou progressivamente constante.

Veja,
eu serei três quando aceitar meus dois,
e não serei junção, mas estarei ao cubo.
Eu me desvio dentro do próprio desvio
só pra me provar, pra me testar,
pra me experimentar e me saborear.
Não sobra nada!

Moinho:
Um moinho é uma instalação destinada à fragmentação ou pulverização de materiais em bruto,(...).
Ventura: sorte (boa ou má); acaso. Sorte boa; dita*. Risco, perigo.
*dita: Fortuna, felicidade, ventura; sucesso favorável.