segunda-feira, 14 de março de 2011

Sonhar

Lembra-se de quando sonhava em ser um astronauta,
ou quando sonhou em ter um esquilinho como animal de estimação,
ou então quando sonhou que poderia ter um parque-de-diversões no quintal de casa?
Lembra-se de quando sonhava em se tornar um artista plástico mundialmente conhecido,
ou quando sonhou em ser piloto de aviões caça da aeronáutica,
ou quando sonhou em ser o melhor lutador de artes marcial do mundo?
Talvez você não se lembre desses sonhos, até porque esses eram meus,
mas você com certeza se lembra dos seus...você se lembra né?!

Quantos sonhos a gente hoje não dá risada de já ter sonhado,
quantos sonhos a gente já não teve que abrir mão, mesmo que relutando,
quantos sonhos a gente já nem ousou sonhar de tão distantes,
e quantos sonhos a gente já conseguiu alcançar?
Nosso sonhos muitas vezes são menosprezados por nós mesmos,
por estarmos acostumados com a solidez e o concretismo do mundo
e por duvidarmos de nossa própria capacidade de correr atráz e fazer acontecer
pelo simples receio de perder o controle, sentir-se um pouco bobo por se expor de alguma forma.

Sonhar é o que faz a vida ter sentimento,
sonhar é que trás sentido ao que vivemos,
sonhar é que nos motiva a alcançar o amanhã,
sonhar fica ainda mais intenso quando se sonha junto.
Quando não sonhamos aparece um vazio que consome,
quando não sonhamos nos sentimos apenas mais um no universo,
quando não sonhamos focamos no que faríamos de diferente no ontem,
quando não sonhamos estamos nos defendendo de nossos próprios medos.

A vida é tão cheia de cores e possui um enredo tão rico e dinâmico
e a vida nos sonhos difere-se apenas por ter um enredo mais expansivo e metafórico,
não apenas o sonho sonhado no sono, mas também o sonho nascido no peito.
Uma vida sem sonhos é uma vida vazia, é uma vida sem riscos e sem emoções,
e uma vida mal vivida não merece sequer ser vivida, quisá dividida,
e é por isso que muitas vezes estamos só, por mais que culpemos os outros.
A vida é um presente único, irrecusável e indevolutivo
que deve ser intensamente aproveitado,
abarrotado de sonhos, desejos, realizações e gozos,
e para isto, basta permitir-se ser um pouquinho criança novamente,
a qual, sem temor algum, sonha em conquistar o mundo,
independente de conseguiu ou não.

"E você estava esperando voar, mas como chegar até as nuves com os pés no chão." - Renato Russo

sexta-feira, 4 de março de 2011

Universo Interno em Expansão

Há um pequeno ser em mim,
um muleque, uma criança,
que viu um filme e quis lutar,
teve um sonho e quis voar.
Um menino sonhador
que cansou-se de sonhar só,
ou de criá-los só.

Inspirou-se no melhor dos amantes
e desesperou-se por não encontrá-la na praia.
Um garoto que insiste em querer controlar tudo
mesmo sem jamais ter tido controle sobre coisa alguma.
Um pirralho que muda de idéia
como uma garota bipolar de tpm.

Desde sabe-se lá quando
tenta descobrir o que vai se tornar,
mas que acima de tudo, hoje,
quer entender quem é
e como tornou-se o que é.
Não se pode afirmar quantos são,
nem se são todos um só.

Há muito o que desvendar,
e mais ainda pra desconfundir.
Este jovem ser cria seu próprio caos
em seu próprio deleite.
E deleita-se até que não sobre nada,
deprime-se
e então encontra um novo objeto de desejo.

Ele vai ter o que quer,
na medida em que descarta o que não terá.
Faz birra, pirraça, teima, mima e quer mimo,
e é persistente como uma cabra montanhesa,
mas desce tão rápido quanto sobe.

É um pequeno ser que acredita
que o mundo é muito pior do que se pensa,
e que pra mudar, ele,
uma eterna criança,
tão hostil e perversa quanto seus próprios medos,
deve começar por ele mesmo,
mesmo sem saber como.
Acredita ter o mundo nas mãos
e a resposta de tudo,
mas detesta, reluta e se debate pela simples idéia
de que jamais poderá ter alguém
pra chamar de seu,
por toda a eternidade.