quarta-feira, 25 de maio de 2011

Nós

O mundo não pode ser tão belo sem que nele esteja você.
É em sua presença que eu vejo vivo o verde da alvorada,
que sinto o frio do medo da escuridão da madrugada,
que forjo minha tristeza moldando-a esculturalmente em arte pura,
pois do contrário,
nada me comove a inspirar aos pulmões o vazio contido no ar.

Há tanta vida em seu corpo,
tanta luz em sua alma,
tanta paixão em seu toque,
tanto desejo exposto por seu olhar,
tantos sonhos não ditos por seus lábios,
tanto amor em sua essência,
e eu,
carecendo de viver esse amor iluminado
apaixonadamente desejante de ser um corpo apenas,
e não menos que um lar habitado por duas eternidades,
sem jamais regressar a seu estado anterior.

Se não consigo nessa existência
ver as belezas que hão além da sua,
se tenho um paladar que não se adoça senão por seu beijo,
se não há frio que se amenize pelo afago de seu calor,
se me disperso e adoeçe-me a sanidade ao viver sem você,
sem te ter,
não há razões para estar em um mundo,
abarrotado de belezas foscas,
corpos vazios
e sem a união de nossas predestinações justificando-se em destino.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Forte

Eu sinto as vontades de um sonho,
me moldando em sonhador,
tão sedentas quanto uma necessidade a se cumprir.

São tantos versos já escritos e destinados
sem jamais terem virado grafite sob a folha,
nem sequer conhecido seu destino.

Importa-me amar e dar amor,
fazer amor,
amar o amor de todas as formas
e acima de todas as coisas que me encascam,
me sufocam, me atam as mãos, língua, fluidos e essência...

Está além do definível,
ultrapassa a compreensão e deboxa da razão,
instigando meus anjos prostrados a se reerguerem inteiriços
quando a carne não é apenas carne,
e deixa de tocar para então sentir,
deixa de provar para extasiar,
deliciando-se em um momento de intenso e interminável prazer
somado em corpo, instinto e alma.

Eu destruo a pureza e inocência das coisas
pela vontade de percebê-las desejantes,
despidas, asmáticas, sudoríparas, úmidas e cedidas
por vontade própria,
de ter, de ser, de experienciar, de libertar,
de saciar e dividir...doar-se.

Mas há, fortemente e tão pesado quanto todas as dores,
o que me mantém, me contém, me retém em mim,
e é somente à essa fortaleza
que eu sucumbo...