sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Tempo e o Inconsciente

Ai, quanta tormenta
que este silêncio me causa..
Quantas vezes meu coração ainda baterá
desarmônico, acelerado, retumbante..
Por quantas provações ainda passarei
pra me mostrar que no fim
sou tão frágil e domável quanto finjo ser inabalável,
que sou tão fraco e desejante quanto finjo ser indiferente,
que sou tão seu quanto me convenço jamais ser.

Que audácia a sua ao desafiar-me!
Não sabes da fome que no homem desperta
por suas pulsões não alimentadas?
Não sabes. De fato, desconheces!
Pois se desconfiasses do tamanho do meu querer
deixaria-me dizer-lhe tudo o que há de ser dito
e, então, entenderia
que não há exageros na doença do coração
e nem consideraria deixá-lo sem ser ouvido.

Tenho lhe dito pela ausência de minha fala,
tenho gritado por palavras escritas,
tenho me exposto por esconder-me de ti,
e é tão sutil, tão real que quase me convenço...
Quase, mas eu sei...sei que não...
E quando eu lhe disse jamais
foi como dizer que te amo
e que não há tempo existente no espaço,
que não há inconsciente capaz de esconder
quão imensurável é o meu querer
e quanta poesia há em seu existir.

Castre-me o sentimento,
que ainda assim carregarei a cicatriz.
Destrua minhas lembranças,
que ainda assim sentirei o vazio deixado.
Rasgue todos os meus versos,
que nem assim deixarão de ser seus.
Emudeça-me,
que ainda assim meu olhar saberá o que dizer-te.
Mate-me
mas não se iluda,
reencontraremo-nos, e lá estarei,
armado de um único e puro abraço, de peito aberto,
para recebê-la e envolver-te quando deixares este mundo também.

És minha estrela escolhida a dedo,
quando não temi as venturas do sonhar
e, desde então,
já não sei o que é viver sem te querer bem,
já não sei acordar sem pensar em como agir ao te encontrar,
já não sei manter um lápis em minha mão
sem que um bilhete se forme em minha mente,
sem que este bilhete se torne uma carta,
sem que esta carta se torne este desabafo.

O meu silêncio pode vir a ser eterno,
assim como o coração que carrego e que é seu,
mas não há tempo, nem deuses, nem demônios
capazes de mudar a completude que só você me faz sentir.