terça-feira, 23 de agosto de 2011

Restos Vitais

As contorções adversas e múltiplas
reforçadas de dentro para fora
e expressadas na pele,
evidenciadas para os olhos de quem souber admirar
e causadoras de angústias aos olhos frios.
A beleza morta desse contorcionismo vivo
se explode por todos os pólos
alcançando as sombras rodeantes
e as luzes abundantes.
Cada nó representa a experiência
de se ter mantido erguida,
cada perfuração como consequência
das ações exteriores
que por maiores ou menores
deixam suas marcas
como assinatura de suas influências.
E a forma que se tem por se viver,
é construída, é gradativa,
é mutatória e perecível.
O que resta
é pura casca marcada.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Ciclicidade do Fracasso

E a história se faz reacontecer,
num cenário diferente, outros coadjuvantes,
e uma qualidade de encenação ovacionavel,
mas com o mesmo roteiro...
exatamente como deveria ser,
tão cíclica quanto nunca deixara de ser.
O acontecido foi
que deixei-me em demasia envolver com a atmosfera da peça,
e me afetar com os aplausos
e com a ausência deles,
e assim minha dispersão
me levou mais uma vez ao fracasso.
A insatisfação do público me comove,
sou tão parte de cada quanto sou de mim mesmo,
e me deixo luzir aos holofotes,
mas me sinto desfazer por todas as partes
quando na ausência da expressividade sou consumido
pela expectativa do que ainda poderia anunciar-se,
tal qual as últimas músicas tocadas mesmo após o encerramento de um concerto...
e quando se quer mais do que já se teve
é pois não havia-se saciado toda a sede
de cada desejo ansioso por expor-se
como um exibicionista aos olhos de um voyer.
Que maldita história para se encenar tantas vezes numa mesma existência...