domingo, 11 de setembro de 2011

Além do Espelho

Tire-me a dor e me arranque o aprendizado.
Livre-me do vazio e me torne cheio de impreenchimentos.
Anestesie meu coração e me faça esquecer que tenho um.
Poupe-me de lidar com a realidade de meus problemas e me poupe do amadurecimento.
Alivia-me desse peso imenso de constantemente buscar a felicidade e não me deixe ser feliz...

Vivo a dor pois ela me faz sentir vivo.
Não temo o vazio, pois preenchê-lo sem jamais tê-lo cheio, é o que dá sentido à vida.
Concentro-me em cada batida diferente do meu coração, e vivo cada emoção que elas me proporcionam.
Vejo as coisas como elas são e assim vejo a mim mesmo, como sou, imperfeito.
Não me canso de encontrar diferentes nomes e vivências para a felicidade,
pois esta não é estéril, nem estática, muito menos pacífica, mas transformadora.

E as verdades cruas da vida despencam-se sem autorização,
e o despreparo de quem as recebe é a imaturidade que insensibiliza os sentimentos,
e a histeria que se prende ao problema é a incapacidade de ouvir os próprios pensamentos,
e à avalanche de consequências culpamos tudo o que não for de dentro e próprio de si.
Deixe que a vida perca seus mistérios para que outros novos sejam encontrados,
perca as suas vergonhas, pudores e repreensões do corpo e da mente,
veja o quanto vivemos pouco, por opção e medo de não aprofundar demais
e entenda,
o ser humano é impreenchível, insatisfeio e incoerente,
mas nunca limitado,
por isso cabe a cada um de nós, nos reservarmos a quem somos
ou sermos muito mais do que acreditamos poder ser.