terça-feira, 8 de novembro de 2011

Além

O seu cheiro é só seu,
mesmo que eu o sinta em mais alguém.
Está tão em mim que parece ser meu
e ao fechar os olhos estou com você.
Este seu aroma é metade pele e metade flor
misturadas numa vívida solução de sedução.

Em meus pensamentos
eu também estou nos seus
e em meu corpo reside também o seu.

Nossas almas enjauladas se limitam,
nossa carne serve de fronteira.
Mas enquanto pudermos transceder
iremos nos reencontrar.
Nossas formas nunca são as mesmas,
nossos caminhos é que insistem em se cruzar.
Não há coincidência em nossa exposição,
um ao outro, um pelo outro,
por um sorriso omitido, por um olhar desviado.
São nossas mãos que teimam entrelaçar-se,
nosso lábios que teimam acariciar-se.

Não há o que eu possa definir
como mais verdadeiro ou mais intenso
que o momento em que estamos ao lado um do outro,
sem palavras ou insinuações,
sem cortes ou censuras,
sem que haja tempo a ser mensurado,
sem que haja o que separe os dois lados
de todas as coisas que existem no infinito.


É deitado, envolto por seu manto,
que desejo compreender
que o fim de meu corpo é a passagem da minha alma
e que essa passagem
é o caminho para nosso próximo encontro.

Desconheço nosso início,
não acredito em nosso fim
e hoje é o momento pelo qual
sou eternamento grato
por ser dádiva,
por ser plenitude,
por ser...
presente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Esvaziamento Vital

Dia desses eu não tive um pingo de vontade de falar ou fazer coisa alguma. Sequer escrever, e nem tempo, digo, nem mente tive para ler o que estava disponível. Imagine encontrar o que possa me interessar, se sou impedido, por minhas próprias impostas limitações, a ter energia suficiente para fazer acontecer o que ainda não me cansei de pensar.

Não sei quando, nem porque, mas em algum momento do meu desenvolvimento eu me questionei sobre o viver. Não apenas o meu, mas o viver de toda uma raça que estruturou seu funcionamento de forma não uniforme, mas com suas similaridades, contendo universos culturais em cada núcleo de macro ou micro uniões. Há um sistema elaborado para que nos encaixemos, antes de nosso próprio nascimento, e façamos as engrenagens continuarem a girar no sentido, força e velocidade que estão programadas para ser.

Nós já superamos a era do macaco que grita mais alto ou que bate mais forte, mas ainda agimos como gado sendo preparado para o abate. Nossas mentes definham até que estejamos satisfeitos com o que nos é oferecido. Mas a mente é capaz de definhar à demência, por não saciar-se completamente por maior que seja a dosagem exagerada. Por não satisfazer-se, a mente alimenta-se constantemente em êxtase do que lhe servir de alimento, e portanto quanto mais é oferecido mais desejosos, carentes, necessitados e dependentes estamos. A estupidez é alimento assim como a sabedoria também o é.