quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vida

Nesta minha existência não estou entre homens e mulheres.
Estou entre seres humanos, cuja beleza eu meço pela alma.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cruzes

Ei mãe, que coisa.
Eu não queria estar aqui
Preferiria estar aí

Mas veja, meu dever
Me chama desde meu despertar
Me acompanha sem eu nem chamar

Um dia, eu acreditei
Que eu teria liberdade
Que eu sairia da cidade

E agora
Eu me afastei foi de mim
Distanciei-me da felicidade
Faço orações pra dormir em paz

É mãe, é bem assim
Que todo dia eu amanheço
Que dos meus sonhos eu esqueço

Mas creia, vou fazer
Com que a alegria apareça
Tome um lugar e permaneça

Um dia, eu lhe escreverei
Contando o fim de toda desgraça
E de meus filhos que me abraçam

E é hora,
Me vou, mas é logo ali
Já já eu volto
Pra viver tudo de novo

Senhora,
Perdoe os meus passos vesgos
Na caminhada tive meus tropeços
Mas vivi, superei meus medos

Demora,
Enquanto não passa, dura
E a vida não é segura
Pra quem vive buscando a cura
De se viver em meio à dor,
De ser um grande sonhador,
De chorar sem se expor.

Pois bem, fui bobo
Pensei que amar era só sentir
E que estar junto era estar ali

Então seja, não tema ser
Todo universo existente em ti
Todo destino que surgir

Não finja, pois eu lhe direi
Que é só pro mal que a mentira impera
Que a escuridão só nos desespera

Vão'bora,
Deixar pra trás o que não servir
Encontrar a paz e poder sorrir
com Deus,
e todo resto
que for amor!

domingo, 2 de setembro de 2012

Momento

Esse inverno seco
me obriga a beber das águas
que gelam a minha garganta
e machucam o universo da minha boca.

E essa noite louca
que me trás o de cá e o de lá,
neste instante prazer,
mas, ontem e amanha, o amor.

Prezo pelo carinhoso andor,
pelo aconchego e calor,
pelo dengo sincero,
pela pele a pelo nu.

Prezo pelo coração, vermelho e cru
que ainda jovem não se cansou,
que já viveu e ainda quer mais,
que se mete em tudo e não se estristece.

Quem disse que alma envelhece,
que agora quer descanso
e que ja bastou
ter vivido ate aqui.

O que vi até onde vivi
me põe no topo das velas,
me direciona ao horizonte,
me leva adentro de um todo.

Hoje não sou o mesmo tolo,
mas ainda assim me engano;
troco passos para curvar uma esquina,
e moldo traços para desenhar uma vida.

Vivo além, aquém, na medida de minha bebida.
Bebo vida, alma, corpo e arte,
e escrevo torto, com traço grosso.

Mas ainda assim, atrevo-me ao eforço
de sobreviver pra caminhar,

voltar e seguir,
e assim ser, estar e pulsar,
como corpo, alma e coração.

domingo, 25 de março de 2012

Limiar

Eu vou, sem compromisso algum
ando por aqui e por ali,
desejo apenas que eu esteja,
agora, como queria ontem,
para que então eu possa viver
o que antes apenas quis.

Que vontade boa, que desejo bom,
você e eu aqui nesse meio sol, meia sombra,
e a vida passando nesse vento gélido,
e a alma acalmando nessa água escura.
Quanta sede boa de se ser,
quanto sonho bom de se viver.

E agora, eu e você, vamos apenas logo alí
chegar rápido onde o tempo não mede,
mas chegamos e então vimos,
que rápido passou e cá estamos.

Batemos a poeira que a terra trouxe,
descemos das águas que dela brotam
e em nosso beijo selamos,
que não haveria outro lugar
se não qualquer um
que conosco fosse posto em moldura!