domingo, 2 de setembro de 2012

Momento

Esse inverno seco
me obriga a beber das águas
que gelam a minha garganta
e machucam o universo da minha boca.

E essa noite louca
que me trás o de cá e o de lá,
neste instante prazer,
mas, ontem e amanha, o amor.

Prezo pelo carinhoso andor,
pelo aconchego e calor,
pelo dengo sincero,
pela pele a pelo nu.

Prezo pelo coração, vermelho e cru
que ainda jovem não se cansou,
que já viveu e ainda quer mais,
que se mete em tudo e não se estristece.

Quem disse que alma envelhece,
que agora quer descanso
e que ja bastou
ter vivido ate aqui.

O que vi até onde vivi
me põe no topo das velas,
me direciona ao horizonte,
me leva adentro de um todo.

Hoje não sou o mesmo tolo,
mas ainda assim me engano;
troco passos para curvar uma esquina,
e moldo traços para desenhar uma vida.

Vivo além, aquém, na medida de minha bebida.
Bebo vida, alma, corpo e arte,
e escrevo torto, com traço grosso.

Mas ainda assim, atrevo-me ao eforço
de sobreviver pra caminhar,

voltar e seguir,
e assim ser, estar e pulsar,
como corpo, alma e coração.