terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cruzes

Ei mãe, que coisa.
Eu não queria estar aqui
Preferiria estar aí

Mas veja, meu dever
Me chama desde meu despertar
Me acompanha sem eu nem chamar

Um dia, eu acreditei
Que eu teria liberdade
Que eu sairia da cidade

E agora
Eu me afastei foi de mim
Distanciei-me da felicidade
Faço orações pra dormir em paz

É mãe, é bem assim
Que todo dia eu amanheço
Que dos meus sonhos eu esqueço

Mas creia, vou fazer
Com que a alegria apareça
Tome um lugar e permaneça

Um dia, eu lhe escreverei
Contando o fim de toda desgraça
E de meus filhos que me abraçam

E é hora,
Me vou, mas é logo ali
Já já eu volto
Pra viver tudo de novo

Senhora,
Perdoe os meus passos vesgos
Na caminhada tive meus tropeços
Mas vivi, superei meus medos

Demora,
Enquanto não passa, dura
E a vida não é segura
Pra quem vive buscando a cura
De se viver em meio à dor,
De ser um grande sonhador,
De chorar sem se expor.

Pois bem, fui bobo
Pensei que amar era só sentir
E que estar junto era estar ali

Então seja, não tema ser
Todo universo existente em ti
Todo destino que surgir

Não finja, pois eu lhe direi
Que é só pro mal que a mentira impera
Que a escuridão só nos desespera

Vão'bora,
Deixar pra trás o que não servir
Encontrar a paz e poder sorrir
com Deus,
e todo resto
que for amor!