sábado, 13 de abril de 2013

Em uma tarde de sexta-feira de céu aberto

Mesmo quando não estamos fugindo de nada, nós nos afastamos de alguém.
Quando o pensamento vai longe demais, de onde já havia estado, pra onde não volta mais.
É quando as pernas não dão conta que a mente vai, e é quando a mente vai que não somos mais os mesmos.
Se fossemos levados a qualquer lugar, não seríamos nós a nos movimentar, mas uma sombra do que poderíamos ter feito com nosso próprio esforço...uma sombra de como nosso corpo seria se nós mesmos os tivéssemos moldado.
A nossa aparência é também como nos vemos e os nossos traços são desenhados por nossas próprias aspirações.
A falta de movimento ameniza as cicatrizes, mas nos molda numa massa amarronzada como a junção das cores que nos são oferecidas para moldar.
E quando nos vamos, também nos voltamos pra dentro de nós mesmos e podemos enxergar as partes e as travessias pelas quais deixamos nossas marcas esculpidas e nossa forma editada para a exteriorização.
A ideia que temos de nós mesmos não vai de encontro a qualquer outra ideia de qualquer outro momento de qualquer outra circunstância.
É a exclusividade de sermos quem somos, desconhecidos para nós mesmos, que nos move para longe, para perto, para dentro e para fora.
Aprofunde-se e verás além de suas próprias marcas.
Canse suas pernas e sinta sua mente pulsar verdades e mentiras sobre a vida...escreva-as e verás que o início de suas palavras não conseguem ser o final de seus pensamentos.