domingo, 13 de julho de 2014

Desalumiado

Nos meus mais rotineiros hábitos
Estão contidas melhores memórias
Sorrisos, lágrimas e orgasmos
De nuvens, luas e mares

E a cada vez que me embriago ao travesseiro
São cheiros, olhares e cabelos
Congelando-me a alma
Desenhando-me presenças

Já não nego as raízes putrefatas
Colhidas com exímia discrição
São tempos de fartura bestial
De arrogância, arrependimento e nostalgia

Em minha cama eu mantenho a salvo
O veneno com o qual me alucino
E se houvesse tempo que volta
Nem assim saberia onde ir

Lá estou estando aqui
Já me fui sem nunca partir
Ao oposto de tudo me confesso

Estou em tudo quanto há
Estão em mim e vão ficar
Há pedaços de vida no concreto

Tão breve, o que não havia houvera
São passos rasos sobre vidro
São noites nuas despidas a rigor
São o que quero e o que não sou

O que há de belo já se foi
Em cada par que se desfez
São manhãs, madrugadas e domingos
Sendo tudo, de novo, mais uma vez

terça-feira, 4 de março de 2014

As Grades de Outrora


Percebi a exceção
E então nela me agarrei
"Faz tempo que eu não fujo
De mim mesmo, nem de ninguém"

Depois de uns e vários
Circulei por várias tribos
Mas depois de tão tarde
Minha sorte ainda é ter bons amigos

Foi ali
Naquela curva
Que eu rodei
Quase morri/matei

Não, não há
Desculpa alguma
Pra pedir
Arquei com meu fim
Paguei, é...

Cinza como em dia chuva
Negra como ausência de luz
Parte da memória é sua
E a esse drama nós fizemos jus

Cabe, mas as vezes transborda
É que junta muito de tudo
Toda parte que joguei fora
Deixou pó, migalha e um cheiro imundo

Foi que eu quis
Me ensopar na chuva
Que eu corri
Quase chorei/sorri

Não, não vá
Tão longe agora
Pra medir
A cor do mentir
Corei, é...

Faço o que faço
Pois eu vivo o que vivo
Já que eu sinto o que sinto
E ninguém mais vai saber

A capa que tampa
Também é a fonte do calor
Que impede o frio de quebrar
O que me resta de ser