quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Quem?

Quem é você,

Que esconde o olhar atrás de imensas e opacas vidraças sombrias,
Que se camufla em cores, formas e linhas
à mão desenhadas,
Que transforma corpo, alma e essência
em fotografias editadas,
Que se molda em poses anaturais pra realizar ânsias alheias.

Quem é você,

Que se passa por ser quem sequer saberia reconhecer,
Que distorce o que vive no peito para não o transparecer,
Que edifica muralhas onde cercas sequer deveriam haver,
Que apresenta um filme daquilo que não é,
de fato,
viver.

Quem somos nós?

Para sentenciarmos que é assim ou assado,
que é aqui ou acolá,
Para afirmar o que foi,
o que deveria ter sido e o que ainda será,
Para ocultar a si mesmo quando ao outro se portar,
Para infamar aquilo que ao outro faz gozar.

Quem somos nós?

Para sermos mais que os outros e termos mais que tantos,
Para fecharmos fronteiras,
para delimitarmos os marcos,
Para sermos tão insensíveis diante do que fere aos nossos,
Para negarmos a uns a chance de ser como todos.

Mas,
quem,
afinal,
sou eu?

Senão você,
Senão nós,
Senão tudo em todos,
Senão nada a sós.

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