quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Incorrigível

O que remanesce agora               
Senão dissimulação
Distorção de tudo e todos 
Em prol de um sonho bom
De um par sonhado em singular
Descabido como só

Marginais mudos ao taciturno

Moucos justo agora
Quando a voz é veraz
E os fatos incomensuráveis
Há entrega cabal e desnuda
Avessa ao dito entre outrem

Memórias aprazíveis desencantam, todavia

Malditas reminiscências deleitosas
Findadas todas em inerente inconcebibilidade
Ressurgidas inabaláveis a cada sol
Palpáveis como olho no olho
Francas como ocultação do desvendado

E a persistência do indevido

Pulsátil como não quereria ser
É premissa dos mais belos retratos
Pálidos, demaquilados,
Coração e alma revelados
Declarantes da ferida escancarada

Resta à lua notar o pestanejar

Saber do anelo incabível
Pois a noite não acata trapaça
E açoita o peito como o vendaval aos campos
E recebe lágrima como desaba temporal
E acende o ser como nada mais o faz

Ora, se não é lídima tal ventura

Provinda de onde sabe-se lá se factível elucidar
A visceralidade da veracidade veda qualquer vaidade
Está desnudada e plena a dita da improbabilidade
É plausível todo o aferrado caos
E da tormenta há de advir, plenamente, amor

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