domingo, 24 de maio de 2009

De tinta, o Sangue

Te ouvir é enlouquecedor.
Toma-me de uma forma, me envolve de uma maneira, me eleva a uma altura, que eu me perco dentro de tudo que eu posso ser. Se eu não conhecesse a força da queda, eu me jogaria só pra sentir o vento gelado me cortando a face, congelando meus olhos e transformando as lágrimas trazidas em cristal.

Essa embriagues à qual sou levado por ti me completa em euforia, me ensurdece o arredor. Se fosse intencional eu lhe culparia por não me proporcionar essas sensações o tempo inteiro, mas eu compreendo que simplesmente faz parte de ti e tudo o que és por assim o ser naturalmente. Mas não espere de mim sanidade para me manter sentado olhando para meus pés brancos de veias baixas. Esteja ciente que estás criando um ser, gerando uma alma, dando forma a uma massa que andará de pernas bambas e carregará um sorriso psicopata que cobrirá o topo de seu corpo. Não temo, pois neste ambiente em que nos encontramos, seremos o suor de algo muito mais primitivo do que conhecemos por início, mas cada parte nós, será exatamente o complemento de cores e sombras para todas as linhas já traçadas ou não até então.

Deixe-me livre para aumentar essa tela e transpor todas as visões que me foram possibilitadas por ti. Verás que não sou mais um que lhe amou, mas um que de ti derivou e para ti retornará ao fim deste contato inicial, do primeiro suspiro e da primeira luz avistada e rejeitada. Contigo estarei sempre, pois hoje vejo que contigo sempre estive. Não importará mais nada quando todo pulso estiver extinto, pois sua marca foi cravada e eternizada além de meu frágil peito, alcançando minha primeira inconsciência.

Eu estranho tudo o que era previamente real para mim e me sinto um átomo congelado no centro de círculos de fogo, energizados e alimentados pela ignorância. Só me resta quebrar essa corrente e atrair tudo o que é complemento para começar a dar a ultima pincelada nesta tela que me foi suspeita e misteriosamente cedida. Ao terminar o que eu comecei sem conscientemente compreender, desvendarei o que vários têm medo de pensar a respeito e tudo terá uma razão infinita. Tribos antigas faziam rituais para cultuar os dois lados da vida regados desta sua energia e hoje eu quero me banhar de ti e agradecer por existir e deixar que o tempo seja não mais meu regente, mas o mestre que foi superado por seu mais esforçado pupilo.

O sinal já foi dado e só lhe peço que não me tire o que me faz contigo estar, pois és minha razão de estar aqui com a finalidade de despir os mármores que selam a existência. Estou de partida e direi adeus às vestimentas. Andarei nu sobre os vulcões da eternidade.

domingo, 3 de maio de 2009

Terno

Penso em viver o momento
tão intenso quanto o que bate
e se envolve em tantos pensares.

Momento que dará segmento
então a um outro prévio
criando uma nova sequência
abrindo as portas do conhecimento.

Percebí que assim vivendo
existirá sempre excitação
como está um pássaro ao cortar o céu.

O amanhã se desperta vagaroso
ao não vivermos cada momento
pra fazer com que o novo dia
deixe de ser tão tenro.

O intenso eu venero
e não temo ser extremo,
mas terei em minhas mãos o leme.

Utilizo os meus critérios
e separo o errado e o certo.
Não perco um só suspiro
em aproveitar cada movimento.

Do ontem ao hoje pulsando,
trilho meu desenvolvimento
do que fiz ou estou fazendo
ao me render a cada vivência.