terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Distante

Quantas noites mal dormidas,
sonhos e pesadelos,
triste dias inteiros,
pelo que decidiu teu coração eu passei.

Um dedo teu me recriminou,
condenando o meu prévio querer
de optar pela mesma decisão,
mas diante de ti eu falhei.

Não tive no peito a força
que existiu no teu depois.
A distância que eu almejava
foi você quem celebrou.

De sol em sol, de lua em lua,
a dor em mim semeada,
brotou galhos, folhas e trevas.
Afinca, oscilou mas incessou.

Certos sonhos do passado,
alguns anseios persistentes,
duelaram e se rebelaram
contra os desprazeres aos quais nos entregamos.

Mas a paz perdeu-se da paciência
e disse que não mais moraria conosco,
nem mesmo se reencontrasse quem se perdeu.

Convicto estou apenas do frio
que envolve a nublada palavra "nós",
que soa diferente, distorcida e dissonante.

Que a distância tenha trazido riso
mas que não traga o que trouxe à mim.

Guardai a canção
que um dia representou
exatamente a plenitude
do que seria o nosso amor.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Deusa Mym

Até da pra aturar,
mas para muitos é intolerável.
Atitudes impulsivas
nada invejáveis.

O olhar refletivo revela
verdades que só eu sei.
Tão transparente sou,
sei que várias ja revelei.

Elos criados e quebrados,
muitos por desleixe próprio.
Indiferença que se acende
por descuido ou pelo ócio.

Traços vistos por olhos diversos,
contrastam entre o corpo e a alma.
O egoismo, a frieza e a estupidez
juntos na mesma jaula.

Mas é aqui que eu habito
e é também onde nesta vida estarei.
Reconheço em outros o que sou,
mas de meus demônios eu sei.

Muito não posso fazer,
ao certo nunca terei comunhão,
mesmo se exposta eu pedir,
a todos que adoecí, o meu perdão.

Sei de causas e consequencias,
sei do sangue que escorre dos póros.
Sei dos cortes que abri adentro,
sei das cores que tirei dos sonhos.

Não temo abrir minh'alma
pros que sabem de mim
bem como eu sou.

Mas até pros que não souberem,
serei eu mesma,
até minha hora chegar
e eu me disser adeus.