sexta-feira, 16 de julho de 2010

Alfa

Quando dormimos, sonhamos
quando sonhamos, acordamos
de formas inversas,
mas ambas despertas.

Porém, quando sonhamos
nosso olhos se abrem,
internamente enchergam
o que externamente negam.

é num vôo, numa queda,
num parque, numa taberna,
o certo ou o que não presta,
o prende e o que liberta.

Quando deixamos o sono
somos bruscamente agredidos
trazemos a sensação,
mas esquecemos o que nos fora dito.

Realidade é como chamamos
aquilo que temos como verdade,
que nos fora dito ou proporcionado
a fim de preencher o vazio inato.

Mais real é o que nos dizemos
afinal, ninguém é tão honesto assim
e se for pra dar ouvidos, que seja à própria voz
que é quem nos diz o que não queremos ouvir.

Sabe,
tem um sentimento
que dura um segundo ou menos
mas é impossível de se definir;
é como se afogar,cair,se perder...
sem se ter dor, nem pavor,
nem alegria, nem horror,
é uma anestesia entre luz e breu
o estágio alfa da dormência..

Será que ISSO é paz?!
Sonhar acordado, um sonho vivido
um momento passado, presente sofrido
acidente pre-destinado num corpo já envelhecido.

Os caminhos a serem percorridos
estão todos ao nosso redor,
e os que serão escolhidos
estes, estão dentro de nós.

domingo, 4 de julho de 2010

Penas, Migalhas e Gaiola

O que fazer quando não há mais o que fazer
o que dizer se já nao há mais nada a ser dito
o que explicar se tudo já ficou claro...claro demais
como agir daí em diante...então é assim que acaba?

É como se eu tivesse visto um pássaro, o mais belo
e tivesse ficado encantado com suas penas,
e tivesse me identificado com seu vôo,
e tivesse até mesmo sonhado em ser um ao seu lado.

É como se eu tivesse ficado tão envolvido, demais
e tivesse tentado prendê-lo, para tê-lo
e o fiz.

Mas eu esqueci que o pássaro era livre,
e mesmo preso, seu espírito ainda era livre
e com isso eu o tive só pra mim, mas nunca meu.

Foi depois de o sol muito se pôr e nascer, contemplando-o
que eu não via mais o pássaro como antes eu vi
e seu brilho ainda vivo, e suas penas ainda coloridas
já não eram tão encantadores assim.

Resolvi libertá-lo, para que pudesse voar como antes
mas antes, ele voava sem meu olhar, sem mim
e foi assim que ele voou novamente, mas desta vez
ele não mais voltou.

As noites estão mais silenciosas, frias e encharcadas de insônia.
Os dias mais zoneados, sem sentido e bêbados de sono.
O pássaro era livre e tornou a ser.
Eu o contemplei, mas o aprisionei comigo.
Hoje restam penas, migalhas, e uma gaiola vazia.

Voe pássaro roxo, como voou um dia para perto de mim
e nunca mais esteja preso, e cante com teu peito cheio.
Guardarei as penas e as migalhas, mas não a gaiola,
caso um dia pouse em minhas terras novamente, livre, mas comigo estará!