domingo, 13 de julho de 2014

Desalumiado

Nos meus mais rotineiros hábitos
Estão contidas melhores memórias
Sorrisos, lágrimas e orgasmos
De nuvens, luas e mares

E a cada vez que me embriago ao travesseiro
São cheiros, olhares e cabelos
Congelando-me a alma
Desenhando-me presenças

Já não nego as raízes putrefatas
Colhidas com exímia discrição
São tempos de fartura bestial
De arrogância, arrependimento e nostalgia

Em minha cama eu mantenho a salvo
O veneno com o qual me alucino
E se houvesse tempo que volta
Nem assim saberia onde ir

Lá estou estando aqui
Já me fui sem nunca partir
Ao oposto de tudo me confesso

Estou em tudo quanto há
Estão em mim e vão ficar
Há pedaços de vida no concreto

Tão breve, o que não havia houvera
São passos rasos sobre vidro
São noites nuas despidas a rigor
São o que quero e o que não sou

O que há de belo já se foi
Em cada par que se desfez
São manhãs, madrugadas e domingos
Sendo tudo, de novo, mais uma vez